sexta-feira, 10 de novembro de 2017

DEONTOLOGIA PROFISSIONAL, ÉTICA E MORAL



1.     Introdução
As comunidades humanas, organizações são regidas por normas indispensáveis à sua organização. Estas normas fundamentam-se nos valores relativos à concepção do bem e do mal, definindo o que é lícito e  o que é ilícito, os comportamentos aceitáveis ou reprováveis, o que se deve fazer ou não fazer, etc.  Na organização profissional do docente o jogo é o mesmo. O professor precisa de viver dentro das normas, conhecer os seus deveres e obrigação  para poder cumprir bem a sua missão. É na Deontologia profissional, ética e moral que se trata.

2.      Da  deontologia profissional
A deontologia trata de o que se deve fazer (dos deveres). O termo deontologia provém do Grego “déon”, que significa dever ou “deontós” de obrigação. E “logos” que significa discurso ou tratado.
A deontologia profissional trata dos deveres e das obrigações do profissional, aquilo que é preciso exigir de todo profissional no desempenho das suas funções (Alonso, 2008:179). Ela, portanto, estabelece um conjunto de comportamento exigíveis aos profissionais.
Para os profissionais docentes, distinguem-se os deveres: na sala de aula, na escola, na sociedade, com os colegas, com os educandos, com as autoridades, etc.
·         O primeiro dever profissional docente é o dever de competência, ao mais elevado nível das exigência da profissão (Monteiro, 2004:111). Esta competência deve ir além do manual. Um docente deve ser alguém que compra e lê livros, revistas e jornais, para acompanhar os progressos do conhecimento da sua área profissional e para estar informado e ter opinião  e preocupação sobre o que se passa no mundo em que vive.
·         Respeitar e cuidar da dignidade da profissão (mesmo fora do seu exercício) e não sacrificar os seus valores a ilegítimos interesses de lucro ou outros.

Um professor deve apresentar-se nos seus locais de trabalho de um modo próprio a não  prejudicar a respeitabilidade e as condições de sucesso da sua função. Assim, ter  comportamentos públicos (ou privados, mas do conhecimento público) não recomendáveis é comprometedor para a profissão (Monteiro, 2004: 141).
·         Amar pedagogicamente os educandos, respeitar a sua privacidade, os seus direitos, as sua diferença pessoal, social e cultural, criar um ambiente de confiança e bem-estar, agir e reagir com serenidade, utilizar uma boa linguagem, ser compreensivo no julgamento e sanção das infracções disciplinares, etc.
·         A defesa de valores e interesses profissionais comuns.
·         Respeito das competências, trabalho e opiniões dos colegas
·         Manter relações de cordialidade, cooperação com os colegas, evitando exprimir publicamente eventuais divergências.
Considerando estes deveres, viu-se que no exercício da sua função, o docente assume uma grande responsabilidade. Ser responsável é sentir-se envolvido na tarefa que desempenha; compreender o seu valor, a sua importância, pautar para sucesso, reconhecendo que o insucesso ou o sucesso da tarefa depende de nós e nos é imputado.
Como é que o professor pode assumir a sua responsabilidade ? (que meios ?) precisa  saber e querer.
v  Competência profissional: indica um conjunto de características que ajuda um indivíduo a realizar as suas funções no âmbito laboral. Ela implica conhecimentos: cultura geral, domínio da matéria a leccionar e saber transmitir a matéria, etc.
v  A consciência profissional é a tensão permanente da vontade para o cumprimento da sua tarefa. Ela implica, a honestidade profissional em cumprimento pontual das suas tarefas, devoção e dedicação, etc., dignidade da vida privada.
A deontologia tem como base 3 elementos: consciência, a liberdade e os valores.

3.      Da Moral
A moral ajuda o homem a guiar os seus actos (actos humanos, daqueles actos que o homem executa com conhecimento e de livre vontade), lhe indica o que deve fazer e o que deve evitar para alcançar o fim último. Moral, portanto, é o conjunto de regras adquiridas através da cultura, da educação, da tradição e do quotidiano, e que orientam o comportamento humano dentro de uma sociedade, ou organização.
Etimologicamente, o termo moral tem origem no latim morales, cujo significado é “relativo aos costumes”.
As regras definidas pela moral regulam o modo de agir das pessoas, mas quando um individuo foge às regras estabelecidas socialmente ou no contrato de trabalho, trata-se do  assédio moral. A imoral é todo o tipo de comportamento ou situação que contraria os princípios estabelecidos pela moral. Por exemplo, a falta de pudor, prejudicar alguém para o benefício próprio, exigir um incentivo ao estudante porque tem uma nota baixa, etc.
Tudo isso tem que ver com a consciência. A consciência, é, do ponto de vista moral, o juízo prático  pelo qual a pessoa moral pode distinguir o bem do mal e apreciar os seus actos e os dos outros (Antunes, 1996). Com a consciência o homem é capaz de ver e julgar os fenómenos tendo em canta as normas de vivência na sociedade.
A liberdade é a capacidade de agir por si mesma. É a expressão de uma necessidade de poder tornar-se pessoa. A liberdade reside na própria atitude do homem de assumir-se.
Valor é aquilo que é bom, útil, positivo, ideal que todos quer atingir. Relaciona-se à ética.

4.      Da Ética
A ética é a ciência que estudo os valores e virtudes do homem estabelecendo um conjunto de regras de conduta e de postura a serem observadas para que o convívio em sociedade possa se dar de forma ordenada e justa (Olivares, 2009).
A palavra “ética” vem do Grego “ethos” que significa “modo de ser” ou “carácter”
A tarefa da ética é para mostrar ao profissional que deve ser competente e responsável no exercícios da sua função. Assim, o professor, para desempenhar bem a sua actividade deve pautar pelos princípios éticos.
Ser ético é agir dentro dos padrões convencionais, é proceder bem, é não prejudicar uma pessoa, estudante, o colega, a instituição, a sociedade.  É cumprir os valores estabelecidos pela sociedade em que se vive. Ser ético não é apenas se abster de fazer o mal, é também agir para promover o bem.
Existem comportamentos antiéticos ou anti-valores que lesam a honra do ser docente:
·         O fenómeno da corrupção no sector da educação.
·         O aliciamento, envolvimento sexual dos professores com estudantes.
·         Apropriação de trabalhos dos colegas e/ou de estudantes (plágio)
·         Assinar no Livros de ponto ou de presença sabendo que estava ausente (falta consc).
·         Receber remuneração dum trabalho que não fez, moralmente é errado. É o mal moral.
·         Criticar outro, não é ético
·         Trazer informação falsa (fofoca) visando prejudicar um colega para se beneficiar de algo
·         Mentir
·         Vestir-se com roupas inapropriados
·         Desrespeitar o colega com frases ou atitudes preconceituosas
·         Inveja, etc.
NB. Estes actos ou comportamentos são antiéticos porque não são aceites a todos os níveis: social, organizacional, legal e individual
A ética profissional é o conjunto de normas éticas que formem a consciência do profissional, representam imperativos da sua conduta.
O indivíduo que tem ética profissional cumpre com todas as actividades de sua profissão, seguindo os princípios determinados pela organização e pelo seu grupo de trabalho.
Falar da ética significa falar da liberdade. A ética nos lembra as normas e a responsabilidade. mas não tem sentido falar de norma ou de responsabilidade se a gente não parte da suposição de que o homem é realmente livre.

Conclusão
Um docente deve ser uma  pessoa com uma vida moralmente regulada, no seu agir ou comportar. Agir moralmente significa agir de acordo com a própria consciencia.
A consciência moral é aquela voz interior que nos diz que devemos fazer, em todas as ocasiões, o bem e evitar o mal. (Tomás de Aquino apud Valls, 1999: 63).
Ao lado da moral tem a ética que é um instrumento que ilumina a consciência do docente, sustenta e dirige as acções do docente, regulando a sua conduta individual e social. Na educação, essa consciência  deve ser muito mais apurado porque os professores lidam com vidas em formação, porque lidam com seres humanos dependentes deles e do seu trabalho.
É preciso que nós, professores, tenhamos ética, enquanto instrumento que ilumina a nossa consciência moral. Esta é essencial para a vida em todos os aspectos, seja pessoais, familiares, sociais e profissionais, sobretudo para a prática pedagógica.
Os vários aspectos da deontologia profissional,  ética e moral que sublinhamos ao longo da exposição têem implicação no PEA, porque o ensino não significa apenas a transmissão do conhecimento, engloba muita coisa (consciência, responsabilidade, comportamento, carácter, etc.). Se os professores optarem para um ensino eficaz, inovador e de qualidade, deverão cumprir com os seus deveres deontológicos, éticos e morais.
Sem o perfume deontológico da profissão não se entra no reino da pedagogia; ser ou não professor é uma questão de consciência, ciência e excelência. (Antunes, 1996)


Bibliografia
ALONSO, Augusto Hotal. Ética das Profissões. São Paulo, Edição Loyola, 2008
MONTEIRO, Agostinho dos Reis. Educação e Deontologia, Lisboa, Escolar Editora, 2004
VALLS, Álvaro L. M. O que é ética, São Paulo, Editora Brasiliense, 1999
ANTUNES, João Lobo. Um modo de ser – Ensaios. Lisboa, Gradiva, 1996


DEONTOLOGIA PROFISSIONAL, ÉTICA E MORAL



1.      Introdução

As comunidades humanas, organizações são regidas por normas indispensáveis à sua organização. Estas normas fundamentam-se nos valores relativos à concepção do bem e do mal, definindo o que é lícito e  o que é ilícito, os comportamentos aceitáveis ou reprováveis, o que se deve fazer ou não fazer, etc.  Na organização profissional do docente o jogo é o mesmo. O professor precisa de viver dentro das normas, conhecer os seus deveres e obrigação  para poder cumprir bem a sua missão. É na Deontologia profissional, ética e moral que se trata.

2.      Da  deontologia profissional
A deontologia trata de o que se deve fazer (dos deveres). O termo deontologia provém do Grego “déon”, que significa dever ou “deontós” de obrigação. E “logos” que significa discurso ou tratado.
A deontologia profissional trata dos deveres e das obrigações do profissional, aquilo que é preciso exigir de todo profissional no desempenho das suas funções (Alonso, 2008:179). Ela, portanto, estabelece um conjunto de comportamento exigíveis aos profissionais.
Para os profissionais docentes, distinguem-se os deveres: na sala de aula, na escola, na sociedade, com os colegas, com os educandos, com as autoridades, etc.
·         O primeiro dever profissional docente é o dever de competência, ao mais elevado nível das exigência da profissão (Monteiro, 2004:111). Esta competência deve ir além do manual. Um docente deve ser alguém que compra e lê livros, revistas e jornais, para acompanhar os progressos do conhecimento da sua área profissional e para estar informado e ter opinião  e preocupação sobre o que se passa no mundo em que vive.
·         Respeitar e cuidar da dignidade da profissão (mesmo fora do seu exercício) e não sacrificar os seus valores a ilegítimos interesses de lucro ou outros.

Um professor deve apresentar-se nos seus locais de trabalho de um modo próprio a não  prejudicar a respeitabilidade e as condições de sucesso da sua função. Assim, ter  comportamentos públicos (ou privados, mas do conhecimento público) não recomendáveis é comprometedor para a profissão (Monteiro, 2004: 141).
·         Amar pedagogicamente os educandos, respeitar a sua privacidade, os seus direitos, as sua diferença pessoal, social e cultural, criar um ambiente de confiança e bem-estar, agir e reagir com serenidade, utilizar uma boa linguagem, ser compreensivo no julgamento e sanção das infracções disciplinares, etc.
·         A defesa de valores e interesses profissionais comuns.
·         Respeito das competências, trabalho e opiniões dos colegas
·         Manter relações de cordialidade, cooperação com os colegas, evitando exprimir publicamente eventuais divergências.
Considerando estes deveres, viu-se que no exercício da sua função, o docente assume uma grande responsabilidade. Ser responsável é sentir-se envolvido na tarefa que desempenha; compreender o seu valor, a sua importância, pautar para sucesso, reconhecendo que o insucesso ou o sucesso da tarefa depende de nós e nos é imputado.
Como é que o professor pode assumir a sua responsabilidade ? (que meios ?) precisa  saber e querer.
v  Competência profissional: indica um conjunto de características que ajuda um indivíduo a realizar as suas funções no âmbito laboral. Ela implica conhecimentos: cultura geral, domínio da matéria a leccionar e saber transmitir a matéria, etc.
v  A consciência profissional é a tensão permanente da vontade para o cumprimento da sua tarefa. Ela implica, a honestidade profissional em cumprimento pontual das suas tarefas, devoção e dedicação, etc., dignidade da vida privada.
A deontologia tem como base 3 elementos: consciência, a liberdade e os valores.

3.      Da Moral
A moral ajuda o homem a guiar os seus actos (actos humanos, daqueles actos que o homem executa com conhecimento e de livre vontade), lhe indica o que deve fazer e o que deve evitar para alcançar o fim último. Moral, portanto, é o conjunto de regras adquiridas através da cultura, da educação, da tradição e do quotidiano, e que orientam o comportamento humano dentro de uma sociedade, ou organização.
Etimologicamente, o termo moral tem origem no latim morales, cujo significado é “relativo aos costumes”.
As regras definidas pela moral regulam o modo de agir das pessoas, mas quando um individuo foge às regras estabelecidas socialmente ou no contrato de trabalho, trata-se do  assédio moral. A imoral é todo o tipo de comportamento ou situação que contraria os princípios estabelecidos pela moral. Por exemplo, a falta de pudor, prejudicar alguém para o benefício próprio, exigir um incentivo ao estudante porque tem uma nota baixa, etc.
Tudo isso tem que ver com a consciência. A consciência, é, do ponto de vista moral, o juízo prático  pelo qual a pessoa moral pode distinguir o bem do mal e apreciar os seus actos e os dos outros (Antunes, 1996). Com a consciência o homem é capaz de ver e julgar os fenómenos tendo em canta as normas de vivência na sociedade.
A liberdade é a capacidade de agir por si mesma. É a expressão de uma necessidade de poder tornar-se pessoa. A liberdade reside na própria atitude do homem de assumir-se.
Valor é aquilo que é bom, útil, positivo, ideal que todos quer atingir. Relaciona-se à ética.

4.      Da Ética
A ética é a ciência que estudo os valores e virtudes do homem estabelecendo um conjunto de regras de conduta e de postura a serem observadas para que o convívio em sociedade possa se dar de forma ordenada e justa (Olivares, 2009).
A palavra “ética” vem do Grego “ethos” que significa “modo de ser” ou “carácter”
A tarefa da ética é para mostrar ao profissional que deve ser competente e responsável no exercícios da sua função. Assim, o professor, para desempenhar bem a sua actividade deve pautar pelos princípios éticos.
Ser ético é agir dentro dos padrões convencionais, é proceder bem, é não prejudicar uma pessoa, estudante, o colega, a instituição, a sociedade.  É cumprir os valores estabelecidos pela sociedade em que se vive. Ser ético não é apenas se abster de fazer o mal, é também agir para promover o bem.
Existem comportamentos antiéticos ou anti-valores que lesam a honra do ser docente:
·         O fenómeno da corrupção no sector da educação.
·         O aliciamento, envolvimento sexual dos professores com estudantes.
·         Apropriação de trabalhos dos colegas e/ou de estudantes (plágio)
·         Assinar no Livros de ponto ou de presença sabendo que estava ausente (falta consc).
·         Receber remuneração dum trabalho que não fez, moralmente é errado. É o mal moral.
·         Criticar outro, não é ético
·         Trazer informação falsa (fofoca) visando prejudicar um colega para se beneficiar de algo
·         Mentir
·         Vestir-se com roupas inapropriados
·         Desrespeitar o colega com frases ou atitudes preconceituosas
·         Inveja, etc.
NB. Estes actos ou comportamentos são antiéticos porque não são aceites a todos os níveis: social, organizacional, legal e individual
A ética profissional é o conjunto de normas éticas que formem a consciência do profissional, representam imperativos da sua conduta.
O indivíduo que tem ética profissional cumpre com todas as actividades de sua profissão, seguindo os princípios determinados pela organização e pelo seu grupo de trabalho.
Falar da ética significa falar da liberdade. A ética nos lembra as normas e a responsabilidade. mas não tem sentido falar de norma ou de responsabilidade se a gente não parte da suposição de que o homem é realmente livre.

Conclusão
Um docente deve ser uma  pessoa com uma vida moralmente regulada, no seu agir ou comportar. Agir moralmente significa agir de acordo com a própria consciencia.
A consciência moral é aquela voz interior que nos diz que devemos fazer, em todas as ocasiões, o bem e evitar o mal. (Tomás de Aquino apud Valls, 1999: 63).
Ao lado da moral tem a ética que é um instrumento que ilumina a consciência do docente, sustenta e dirige as acções do docente, regulando a sua conduta individual e social. Na educação, essa consciência  deve ser muito mais apurado porque os professores lidam com vidas em formação, porque lidam com seres humanos dependentes deles e do seu trabalho.
É preciso que nós, professores, tenhamos ética, enquanto instrumento que ilumina a nossa consciência moral. Esta é essencial para a vida em todos os aspectos, seja pessoais, familiares, sociais e profissionais, sobretudo para a prática pedagógica.
Os vários aspectos da deontologia profissional,  ética e moral que sublinhamos ao longo da exposição têem implicação no PEA, porque o ensino não significa apenas a transmissão do conhecimento, engloba muita coisa (consciência, responsabilidade, comportamento, carácter, etc.). Se os professores optarem para um ensino eficaz, inovador e de qualidade, deverão cumprir com os seus deveres deontológicos, éticos e morais.
Sem o perfume deontológico da profissão não se entra no reino da pedagogia; ser ou não professor é uma questão de consciência, ciência e excelência. (Antunes, 1996)


Bibliografia
ALONSO, Augusto Hotal. Ética das Profissões. São Paulo, Edição Loyola, 2008
MONTEIRO, Agostinho dos Reis. Educação e Deontologia, Lisboa, Escolar Editora, 2004
VALLS, Álvaro L. M. O que é ética, São Paulo, Editora Brasiliense, 1999
ANTUNES, João Lobo. Um modo de ser – Ensaios. Lisboa, Gradiva, 1996



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A FAMÍLIA (OS PAIS) COMO PRIMEIRA (OS) CATEQUISTA(S


A FAMÍLIA (OS PAIS) COMO PRIMEIRA (OS) CATEQUISTA(S)

 

0.      Introdução

Estamos reunidos para partilhar sobre aquilo que somos e devemos fazer para que as família sejam um lugar de paz, de crescimento pessoal, um ambiente onde os pais preocupam-se de levar os filhos a Deus com uma educação cristão que favorece este encontro com Deus e o próximo. Esta sessão oferecerá ajuda aos membros da comissão da  família que são pais e mães a realizar sua missão de catequista e educadora dos filhos.

1.      Definição

Catequistas são essas pessoas idealistas e altruístas dentro de nossas comunidades, que se dedicam à formação humana e cristã de nossas crianças, adolescentes, jovens e adultos. Os catequistas, assim como os primeiros mestres, deixam nas pessoas marcas profundas que, consciente ou inconscientemente, sempre afloram ao longo dos caminhos da vida

2.      A família e o seu papel de catequista

A Igreja ensina que os primeiros catequistas são os pais. É com eles que toda criança deve aprender a conhecer a Deus, aprender a rezar e dar os primeiros passos na fé; conhecer os Mandamentos e os Sacramentos.

Os pais, então, são os primeiros catequistas de seus filhos. Devido ao baptismo e à graça do matrimónio, eles estão preparados para cumprir a missão de transmitir a fé a seus filhos. O testemunho do amor fiel da mãe e do pai estabelece sua igreja doméstica, que é uma escola de virtude para a família. Apresenta aos filhos a riqueza dos ensinamentos católicos, o encontro com a Palavra de Deus e com os sacramentos, e a generosidade do serviço desinteressado. “a catequese familiar antecede, acompanha e enriquece outras formas de instrução na fé” (Cat 2226).

Os pais, que transmitiram a vida aos filhos, têm uma gravíssima obrigação de educar a prole e, por isso, devem ser reconhecidos como seus primeiros e principais educadores. esta função educativa é de tanto peso que, onde não existir , dificilmente  poderá ser suprida. Com efeito, é dever dos pais criar um ambiente de tal modo animado pelo amor e pela piedade para  com Deus e para com os homens  que favoreça a completa escola das virtudes sociais de que as sociedades têm necessidade. Mas, é sobretudo , na família cristã, ornada da graça e do dever do sacramento do Matrimónio, que devem ser ensinado os filhos desde os primeiros anos, segundo a fé recebida no Baptismo a conhecer  e a adorar Deus e a amar o próximo; é aí que eles encontram a primeira experiencia quer da sã sociedade humana quer da Igreja; é pela família, enfim, que eles são pouco a pouco introduzidos no consórcio civil dos homens e no Povo de Deus (cf. Declaração “A Educação Cristã”, nº.3).

O dever de educar, que pertence primariamente à família, precisa da ajuda de toda a sociedade. Portanto, além dos direitos dos pais e de outros a quem os pais confiam uma parte de trabalho de educação , há certos deveres e direitos que competem à sociedade civil, enquanto pertence a esta ordenar o que se requer para o bem comum temporal. Faz parte dos seus deveres promover de vários modos a educação da juventude: defender os deveres e direitos dos pais e de outros que colaboram na educação e auxilia-los.

Por uma  razão particular pertence à Igreja o dever de educar, não só porque deve também ser reconhecida como sociedade humana capaz de ministrar a educação, mas sobretudo porque tem o dever de anunciar a todos os homens o caminho da salvação, de comunicar aos crentes a vida de Cristo e ajudá-los, com a sua contínua solicitude, a conseguir a plenitude desta vida. Portanto, a Igreja é obrigada a dar, como mãe, a estes seus filhos aquela educação, mercê da qual toda a sua vida seja incutida do espírito de Cristo; ao mesmo tempo, colabora com todos os povos na promoção da perfeição integral da pessoa humana, no bem da sociedade terrestre e na edificação dum mundo configurado mais humanamente.

3.      A catequese na responsabilidade da família

A catequese é certamente a mais valiosa e importante pastoral na vida da Igreja. Ousamos dizer que pela Catequese se conhece a vitalidade de uma comunidade.

Todavia, a Catequese na comunidade não dispensa, mas pressupõe a família onde os pais devem ser os primeiros catequistas.

João Paulo II, em sua primeira viagem apostólica ao Brasil em 1980, dirigindo-se às famílias em Porto Alegre, assim se expressou: “Em virtude do próprio Baptismo e do Matrimônio, o pai e a mãe são os primeiros catequistas de seus filhos”.

Essas palavras do saudoso Papa são como um eco dos ensinamentos do Concílio Ecumênico Vaticano II, sobretudo em dois de seus documentos.
“Para os filhos, o pai e a mãe são os primeiros anunciadores e educadores na fé. E os formam para a vida cristã e apostólica, pela palavra e pelo exemplo”. (cf. Decreto “Campos de Apostolado”, nº. 11).

Estamos plenamente convictos de que a chave ou o “segredo” para a educação humana e cristã dos filhos reside no exemplo e testemunho de vida do pai e da mãe. E nunca será demasiado frisar que os filhos são educados não tanto com as palavras, mas sim com os exemplos de vida de seus pais.

É oportuno lembrar um rico ensinamento da moderna psicologia religiosa: a idade de ouro para a educação humana e cristã de uma pessoa é a sua primeira infância (do 0 aos 06 anos). Nessa faixa etária lança-se a base do equilíbrio afetivo, forma-se embrionariamente a personalidade humana e delineia-se a vida toda de uma pessoa. Como é importante, por exemplo, a criança sentir nesses primeiros anos de vida o afeto do pai e da mãe.

É impressionante constatar, no Evangelho, a pedagogia de Cristo defendendo e promovendo a dignidade da criança.

Ainda que tenhamos insistido na educação durante a primeira infância, a missão educadora dos pais deve perpassar todas as fases da vida de seus filhos.

Assim, a vida do pai e da mãe, pela sua exemplaridade, torna-se uma rica lição de formação permanente. Numa perspectiva cristã, não tememos em afirmar que os pais são não apenas os primeiros catequistas, mas sim os mais importantes, os indispensáveis catequistas para seus filhos.

Se Pais e catequistas das comunidades juntos lançarem as sementes da formação humana e cristã no coração dos filhos, estejam certos de que terão a surpresa e a alegria de colheitas abundantes de bons frutos.

A Igreja ensina que os pais devem ser os primeiros catequistas dos filhos; a Igreja completará essa formação.

Sem uma família cristã de verdade, onde pai e mãe dão aos filhos o bom exemplo da fé, os levem à Missa e a Igreja, a família não se mantém de pé diante de tantas ameaças que hoje a atingem: casamentos de pessoas do mesmo sexo, divórcios, traições, infidelidades, televisão imoral, costumes liberais etc.

É fundamental que todas as famílias, todos os cristãos católicos se mobilizem em torno da educação na família. A  família nunca esteve tão ameaçada como hoje. João Paulo dizia que o futuro da Igreja passa pela família. O Congresso Teológico Pastoral, que se realizou no Rio de Janeiro, em 1997, onde esteve o Papa João Paulo II, publicou a “Carta do Rio de Janeiro”. Entre outras coisas foi dito que:

1 – “A família está sob a ponto de ataque em muitas nações. Uma ideologia anti-família tem sido promovida por organizações e indivíduos que, muitas vezes, não obedecem princípios democráticos”.

2 – “Temos testemunhado uma guerra contra a família tanto nacional quanto internacional. Nesta década, na Conferências das Nações Unidas, têm sido vistas tentativas para “desconstruir” a família, de forma que o sentido de “casamento”, “família” e “maternidade” é agora contestado. Tem sido estabelecida uma falsa posição entre os direitos dela e os de seus membros individuais. Sob o nome de liberdade, têm sido promovidos “direitos sexuais” ilegítimos e “direitos de reprodução”. Entretanto, estes direitos estão, de fato, principalmente, a serviço do controle populacional. São inspiradas em teorias científicas em descrédito, num feminismo ultrapassado e numa mal direcionada preocupação com o meio ambiente”.

João Paulo II disse que: “Hoje em dia, os inimigos de Deus, mais do que atacar frontalmente o Autor da criação, preferem defrontá-Lo em suas obras. Em torno à família se trava hoje o combate fundamental da dignidade do homem”. “Nos nossos dias, infelizmente, vários programas sustentados por meios muito poderosos parecem apostados na desagregação da família.” (Carta às Famílias, 5).

Por tudo isso é muito importante que todas as comunidades, movimentos, dioceses, paróquias, grupos de oração etc., se mobilizem, para reavivar os verdadeiros valores da família, antes que seja tarde demais.

4.      Conclusão

Quando falamos em catequista, logo nos vem à mente a figura daquela pessoa que, nas comunidades paroquiais ou nas escolas, se incumbem da missão de preparar nossas crianças para fazerem sua Primeira Comunhão, ou seja, para receberem o Sacramento da Eucaristia. Mas para nossa comissão de famílias, quando se trata de catequistas falamos de nós mesmos.

Queremos, entretanto, relembrar aqui, que todos somos chamados pelo Baptismo a sermos missionários onde quer que estejamos vivendo, ou seja, temos a missão de levar o Evangelho a todas as criaturas, conforme estabelecido por Jesus em seu anúncio da Boa Nova (Mc 16,15). O primeiro lugar onde devemos exercitar essa ordem de Jesus é no seio da própria família, revelando e ensinando aos filhos o conteúdo das Sagradas Escrituras, introduzindo-os às primeiras orações cristãs e preparando-os para as práticas da fé católica.

“A Igreja não se cansa de repetir que a família deve ser a igreja doméstica, pois é no seio da família que os pais são para os filhos, pela palavra e pelo exemplo… os primeiros mestres da fé” (LG 11; FC 21).

Possam valer-nos o exemplo de José e Maria que proporcionaram ao menino Jesus o conhecimento da lei judaica em seu conteúdo e práticas, a ponto de um dia, quando estava com apenas doze anos, o encontrarem discutindo e interpelando os doutores da lei no templo de Jerusalém (Lc 2,41-52).

Perguntas

·         O que fazemos para inculcar nos filhos a amar a Deus e respeitar as suas Leis ?

·         O que podemos fazer, nós, como membros da comissão de famílias nas nossas paróquias para ajudar outras famílias a tomar consciência das suas responsabilidade de primeiras catequistas para os filhos ?

·         Como são organizados os encontros com as famílias das nossas paróquias ? ou seja, o que fazemos para reunir as famílias e do que falamos ?

 

 

 

Setembro 2017

Cléophas Mudita Ilunga

 

OS DEVERES DA FAMÍLIA CRISTÃ

No plano de Deus criador e Redentor, a família descobre não só a sua identidade, o que é, mas também a sua missão, o que ela pode e deve fazer. As tarefas, que a família é chamada por Deus a desenvolver na história, brotam do seu próprio ser e representam o seu desenvolvimento dinâmico e existencial. Cada família descobre e encontra em si mesma o apela inextinguível, que ao mesmo tampo define a sua dignidade e a sal responsabilidade: família, torna-te aquilo que é !

Segundo o desígnio de Deus, a família tem a missão de se tornar cada vez mais aquilo que é, ou seja, comunidade de vida e de amor, numa busca que, como para cada realidade criada e redimida, encontrará a plenitude do Reino de Deus. E, numa perspectiva que atinge as próprias raízes da realidade, deve-se dizer que a essência e os deveres da família são, em última análise, definidos pelo amor

Em tal sentido, partindo do amor em permanente referencia a ele, o Sínodo pôs em evidencia quatro deveres gerais da família:

- aformação de uma comunidade de pessoas

- o serviço à vida

- a participação no desenvolvimento da sociedade

- a participação na vida e na missão da Igreja

 

I.                   A PARTICIPAÇÃO NA VIDA E NA MISSÃO DA IGREJA

 

Entre os deveres fundamentais da família cristã estabelece-se o dever eclesial: colocar-se a serviço da edificação do Reino de Deus na história, mediante a participação na vida e na missão da Igreja

Para melhor compreender os fundamentos, os conteúdos e as características de tal participação, ocorre aprofundar os vínculos múltiplos e profundos que ligam entre si a Igreja e a família crista., e constituem esta última como “uma Igreja em miniatura” (Ecclesia domestica), fazendo com que esta , a seu modo , seja imagem viva e representação histórica do próprio mistério da Igreja.

É antes de tudo a Igreja Mãe que gera, educa, edifica a família crista, operando em seu favor a missão de salvação que recebeu do Senhor. Com o anúncio da Palavra de Deus, a Igreja revela à família cristão a sua verdadeira identidade, o que ela é e deve ser segundo o desígnio do senhor; com a celebração dos sacramentos, a Igreja enriquece e corrobora a família cristã com a graça de Cristo em ordem à sua santificação para a glória do Pai; com a renovada proclamação do mandamento novo da caridade, a Igreja anima e guia a família crista a serviço do amor, a fim de que imite e reviva o mesmo amor de doação e sacrifício que o Senhor Jesus nutre pela humanidade inteira.

Por sua vez, a família crista está inserida a tal ponto no mistério da Igreja que se torna participante, a seu modo, da missão de salvação própria da Igreja: os cônjuges e os pais cristãos, em virtude do sacramento, têm assim, no seu estado de vida e na sua ordem, um dom próprio no Povo de Deus. Por isso, não só recebem o amor de cristo tornando-se comunidade salva, mas também são chamados a transmitir aos irmãos o mesmo amor de cristo, tornando-se comunidade salva, mas também soa chamados a transmitir aos irmãos o mesmo amor de cristo, tornando-se assim, comunidade salvadora. Deste modo, enquanto a família crista é fruto e sinal de fecundidade sobrenatural da Igreja, torna-se símbolo, testemunho, participação da maternidade de Igreja

Uma função eclesial própria e original

A família crista é chamada a tomar parte viva e responsável na missão da Igreja de modo próprio e original, colocando-se a serviço da Igreja e da sociedade no seu ser e agir, enquanto comunidade íntima de vida e de amor.

Se a família crista é comunidade, cujos vínculos são renovados por Cristo mediante a fé e os sacramentos a sua participação na missão da Igreja deve dar-se segundo uma modalidade comunitária: conjuntamente, portanto, os cônjuges enquanto casal, os pais e os filhos enquanto família, devem viver o se serviço â Igreja e ao mundo. Devem ser na fé um só coração e uma só alma, através do espirito apostólico comum que os anima e mediante a colaboração que os empenha nas obras de serviço â comunidade eclesial e civil.

A família crista, pois edifica o Reino de Deus na historia mediante aquelas mesmas realidades cotidianas que dizem respeito e contradistinguem a sua condição de vida: é, então no amor conjugal e familiar – vivido na sua extraordinária riqueza de valores e exigências de totalidade, unicidade, fidelidade e fecundidade – que se exprime e se realiza a participação da família crista na missão profética, sacerdotal e real de Jesus cristo e da sua Igreja: o amor e a vida constituem, portanto, o núcleo da missão salvífica da família cristã na Igreja e pela Igreja.

O concilia vaticano II diz_ cada família comunicará generosamente às outras aas próprias riquezas espirituais. Por isso, a família crista, nascida de um matrimónio que é imagem e participação da aliança de amor entre cristo e a Igreja, manifestará a todos a presença viva do Salvador no mundo e a autêntica natureza da Igreja, quer por meio do amor dos esposos, quer pela sua generosa fecundidade, unidade e fidelidade, quer pela amável cooperação de todos os seus membros

 

Exortação apostólica de Joao Paulo II, a missão da família crista no mundo de hoje
Após uma longa viagem para minhas férias e passeio, já estou de volta para o trabalho. este ano estou pensando escrever um artigo sobre a situação da RD. Congo, uma visão d'um cidadão fora do seu pais. as implicações politicas, sociais e religiosas